2 de fev. de 2011

Entrevista de Shadows à revista japonesa BURRN! na ÍNTEGRA

Foi publicada, na edição de outubro da revista japonesa Burrn!, uma entrevista com M. Shadows onde ele fala um pouco sobre Jimmy e o trabalho de Mike Portnoy. Embora algumas informações possam parecer ultrapassadas, já que MP não está mais na banda, vale a pena a ler a entrevista. Traduzida na íntegra, só aqui no A7X:BR.


Eu sei que vocês ainda estão sofrendo com a morte do Jimmy e nós não podemos nem dizer que “agora sabemos como vocês se sentem” porque vocês devem estar passando por um período muito difícil. Mas deixe-me agradecer vocês por terem gravado o Nightmare e vindo ao Japão.

M: Nós apreciamos seus elogios ao álbum. E amamos vir ao Japão, então é ótimo estar aqui. Estamos felizes também.

O Nightmare ficou em primeiro lugar na Billboard, onde vocês estavam quando ficaram sabendo?

M: Tinham nos dito que havia uma chance do álbum ficar em primeiro uma semana antes. A equipe da gravadora e nossa produtora tinham calculado volumes de venda e ficado bem animados, mas para nós, só lançar o álbum já era um sucesso. Claro, seria legal conseguir o número um nas tabelas. Quando eu ouvi a notícia eu estava em um programa de rádio apresentado pelo Jason Ellis, nosso empresário apareceu com uma garrafa de champanhe e o programa todo se focou em termos conseguido o primeiro lugar. Zack e eu estávamos lá, chamamos o resto da banda para comemorar. Foi legal, mas meio triste.

Como está sendo a turnê? Vocês estão na estrada com Mike Portnoy a quase três meses, o que vocês sentem tem mudado? Como você se sente em relação a estar em turnê com o Avenged Sevenfold? Acha que alguma coisa mudou?

M: A primeira vez que subimos no palco, estávamos muito nervosos e com muito medo. Foi em Montreal que tocamos com Mike pela primeira vez. Estávamos preocupados com o que nós mesmo sentiríamos em relação a escolha das músicas. Depois de um tempo conseguimos tocar como tocávamos antes, mas ainda lembramos Jimmy todas às noites e sentimos falta dele. De agora em diante nunca tocaremos da mesma forma e nunca mais poderemos mostrar o que verdadeiramente somos. Ainda assim subimos no palco todas as noites, absorvemos a energia dos fãs, nos divertimos com nossos shows. É uma sensação boa. Não é o mesmo de antes, mas ainda é divertido, então aproveitamos. É o mesmo para o Mike. Estamos fazendo o melhor que podemos.

Vocês estão usando a voz do Jimmy no pro tool e tem ele com vocês no palco.
M: Sim, isso mesmo!

A voz dele tem muita personalidade e é vital em algumas músicas. Parece que ninguém mais poderia cantar essas partes…

M: (Ri) Sim, isso está certo, ninguém pode cantar as partes dele. Ele tinha um tom bem agudo e a voz dele tinha um caráter único, sabe? Sabíamos que os fãs iriam querer ouvir a voz dele todas as noites e nós também queremos.

Então nós basicamente tivemos essa idéia de que poderíamos tocar a voz do Jimmy. Todos ficariam felizes de ouvir a voz dele, é um momento emocional. Todos que vieram pro show se animaram. Todo mundo se perguntava como nós fizemos para tocar assim e nos diziam que era incrível recriar a voz dele dessa forma.

Definitivamente ninguém poderia cantar a parte do Jimmy! Sem ele nunca mais poderíamos tocar músicas como Critical Acclaim ou Little Piece of Heaven! É muito especial para os fãs poderem sentir a presença dele. Eles podem se lembrar dele durante os shows ouvindo sua voz. Muitos fãs apontam para o céu com um sorriso no rosto…é muito legal.

Você disse que vê sorrisos, mas deve haver tristeza também…?

M: Não, podemos ver que eles se animam em ouvir a voz dele. É como se eles celebrassem sua vida. Vejo muitas lágrimas com So Far Away, mas os fãs parecem confortados quando a voz dele surge em Critical Acclaim e Afterlife, eu posso ver do palco. É reconfortante ouvir a voz dele ao invés de ver outra pessoa cantar isso, ou ninguém. O show é um lugar para celebrar e ouvir a voz dele. É também onde apresentamos nossas músicas pela primeira vez, para que possa ser algo emocional. A primeira vez que você nos vê sem o Jimmy é agora, e só essa é a primeira vez. (risos) De qualquer forma, tudo se resume ao rock e a se divertir.

Vocês fizeram um show em Irvine em 17 de setembro, a parada mais próxima de sua cidade natal. Como foi?

M: Bem…foi meio complicado…comparado com outros shows. (risada sem graça) Muitos amigos e familiares disseram que queriam ver o show…é meio irritante…muitos amigos não entendem que fazemos isso todas as noites. Então eles nos pedem para dar uma festa ou sair com eles depois do show já que estamos em casa depois de tanto tempo…mas a turnê irá continuar para nós e teremos muitas coisas para fazer, como falar com a imprensa, então não podemos sair e encher a cara depois dos shows. Temos que nos preparar para o dia seguinte ao show. Então, o show em nossa cidade natal foi louco. Nossos velhos amigos, que não tem idéia de o quão ocupados nós somos, apareceram…mas os pais e a família do Jimmy apareceram também e foi especial, Mike conheceu a família do Jimmy. Nossos familiares e amigos que conheciam o Jimmy muito bem vieram e foi bem emocionante já que era a primeira vez que nos viam tocar sem ele. Acho que eles foram lembrados da realidade ao nos verem tocando sem o Jimmy.

Como a família do Jimmy reagiu?

M: Eles gostaram. Ao mesmo tempo, era muito triste, mas eles nos disseram várias vezes que queriam que fossemos felizes. Todo mundo sabe que não existe ninguém que possa substituir o Jimmy. Nossos amigos, os amigos dele e meus pais foram lembrados do triste fato de que subiremos ao palco sem o Jimmy todas as noites. Eles o conheceram tanto quanto nós, então, é tão difícil pra eles quanto é pra gente. Meus pais, que me criaram, viram Jimmy durante dezoito anos. O palco sem o Jimmy parece de alguma forma estranho para eles e para qualquer um.

Por falar nisso as notícias de que Mike Portnoy deixou o DREAM THEATHER(DT) deve ser uma grande surpresa pra vocês também… ou vocês já sabiam disso antes?

M: Nem um pouco! (risos) Eu tinha ouvido falar que ele estava ficando não muito feliz no DT antes. Ele estava questionando se continuariam nesse ciclo para sempre sem descanso, esse ciclo de compor e fazer álbuns, sair em turnê, fazer outro álbum…O que o Mike mais gosta estando nessa banda é que nós, os integrantes, somos melhores amigos. Parece que ele gosta das nossas atitudes, nós pararíamos de fazer música se deixasse de ser divertido. Nós nunca teremos um camarim para cada um de nós e ficaremos separados. Se estivéssemos com esse humor, não sairíamos em turnê. Ele gosta do nosso relacionamento que é como o de uma família. E nós compartilhamos alguns sentimentos ao gravar o álbum juntos. Ele percebeu que queria se afastar desse ciclo em que ele tinha que fazer um álbum ou sair em turnê por mera obrigação.
Então ele disse aos membros do DT que queria um tempo para tocar com o A7X e dar um descanso para o DT por um tempinho, mas eles responderam que não tinham a intenção de fazer isso. Eu sabia que ele ia ligar pra eles e sugerir que o DT desse um tempo e retornasse depois do verão, quando a nossa turnê acabaria. Mas eles disseram que não e ele largou a banda naquele momento (risada sem graça), ele anunciou que estava deixando a banda, mas nós obviamente não sabíamos disso. Mike nos contou no backstage, tipo “eu saí da minha banda e também coloquei isso no Facebook”. Nós ficamos tipo “o que??” Estávamos realmente muito surpresos. É algo pessado, sabe. É realmente estranho. Mas ele tinha que tomar sua decisão e ela levou a essa conclusão.

Mike toca seguindo os padrões originais do Jimmy? Ou ele toca como ele mesmo?

M: Mike faz o papel do Jimmy, somente ele poderia tocar a bateria de músicas populares que o público está esperando, como “Beast And The Harlot”, é quase igual ao que Jimmy fazia. Em algumas músicas novas Mike toca como ele mesmo e isso é bem divertido. Mike assistiu nosso DVD ao vivo e outros vídeos para estudar como o Jimmy tocava, como era o estilo dele, e recria isso acrescentando seu próprio gosto.

Vocês em algum momento dão ao Mike alguma instrução quanto à bateria?

M: Sim. Queremos uma sonoridade específica em certas músicas, então dizemos isso a ele, se não for o caso, pedimos para ele tocar livremente e ele faz o que quiser. Não temos nenhuma intenção de limitá-lo dizendo “você tem que tocar isso ou aquilo”, mas se o jeito que ele estiver tocando for diferente do que precisamos, nós dizemos isso a ele. Se ele quer editar uma parte não muito importante de uma música nós deixamos, mas se aquela parte tem um significado importante para nós, dizemos a ele claramente o que fazer.

Não acho que vocês deixarão ninguém ocupar o lugar do Jimmy facilmente já que tem laços tão fortes com ele, mas Mike ficará desempregado depois que a turnê com o A7X acabar (risos).

M: Sim. (risos) Nós conversamos sobre isso com ele. Falando sério, nós dissemos a ele que não estamos prontos para ter ninguém novo como um membro permanente na nossa banda, não importa o quão boa essa pessoa seja. Amamos Mike e apreciamos o que ele fez por nós, é divertido tocar com ele no palco. Mas não podemos pensar tão adiante, lidar com o agora é o bastante para nós. Não estamos prontos para deixar alguém se juntar a nós e seguir em frente.

Então, por enquanto, o plano é continuar em turnê promovendo o Nightmare com o Mike na bateria enquanto vocês poderem?

M: Ficaremos na estrada por dois anos, eu acho. Precisamos de dois anos para visitar todos os lugares do mundo agora que o A7X está se tornando mundialmente grande e estamos planejando ir a alguns lugares duas vezes. Iríamos ao Japão, Austrália, Reino Unido, União Européia duas vezes e os Estados Unidos também duas vezes. E temos a ambição de alcançar o mercado da America do Sul dessa vez. Então estaríamos em turnê por dois anos. É divertido estar na estrada com o Mike agora, mas não sabemos o que vai acontecer depois. Ele deve ter seu próprio plano… Para nós, é o bastante que nós quatro continuemos juntos e que nosso álbum vá bem. Temos que aproveitar o agora e não tomar grandes decisões. Não é a hora certa ainda.

Vocês não farão grandes alterações na set list para essa turnê, farão?

M: Infelizmente a maioria dos nossos últimos shows foram em festivais então colocamos mais músicas do Nightmare e algumas das mais populares músicas antigas, mas foi só isso. Quando voltarmos ao Japão, teremos terminado nossa turnê na Europa e provavelmente adicionaremos mais músicas e muitas mudanças. Mudaremos nossa set list completamente em janeiro. Se for para festivais o tempo é limitado e é difícil tocar mais músicas. Se podermos tocar por duas horas podemos ter mais músicas legais, mas por enquanto, infelizmente, dez é o máximo. Tocamos para 60.000 pessoas num festival no Brasil recentemente e só tivemos 55 minutos, então tocamos nove músicas! (risos) Viajamos vinte horas para chegar no Brasil e tocamos só nove músicas” (risos) É o melhor que podemos fazer em um festival, infelizmente. Tudo porque compomos músicas realmente longas.

Existe alguma possibilidade de vocês tocarem outras músicas do Nightmare no future, como Fiction?

M: Sim, eu quero tocar Save Me, definitivamente, e Danger Line, com certeza. Eu sugeri para a banda que tocássemos Fiction e eles concordaram comigo. Eu gostaria de tocar Natural Born Killer também, na real, eu quero tocar todas as músicas do Nightmare. Vamos escrever uma set list para cada local da turnê e tocaremos um set completamente diferente nos lugares em que estamos indo pela segunda vez. Então vocês poderão ouvir todas as músicas do Nightmare.

Eu estive no primeiro show do Metallica no Japão, que foi dois meses depois da morte de Cliff Burton no acidente com o ônibus da turnê em setembro de 1986, onde eles tocaram com Jason Newsted pela primeira vez. Havia uma simpatia bizarra e comovente para com a banda emanando do público antes mesmo que o show começasse, eu consegui sentir isso e ainda me lembro. Acho que vocês sentirão algo parecido, ou até mais forte, em seu show no Japão dessa vez.

M: Sim. Eu senti essa atmosfera em Montreal, e foi particularmente forte no Brasil. No Brasil dividimos o palco de um festival com bandas grandes como Rage Against The Machine, Linkin Park e Incubus, mas nossos fãs estavam na frente do palco desde a manhã e continuavam gritando por nós! Eles chamaram pelo A7X desde as dez da manhã até a tarde, quando nós tocamos. As equipes das outras bandas disseram que nunca tinham visto algo assim. O lugar estava tão repleto de amor que eu nem consigo explicar com palavras o que sentimos quando subimos no palco. Recebemos sentimentos intensos de fãs por toda parte e é muito emocionante. Espero que sejamos recebidos aqui no Japão com essa mesma aura. Alguns de nossos fãs mais apaixonados são japoneses. Conheci alguns fãs num bar ontem a noite e eles me disseram a mesma coisa. Eles disseram que significa muito para eles que nós tenhamos voltado ao Japão. Da mesma forma, apreciamos muito nossos fãs.

Jimmy não está levando o A7X para o céu com ele, mas sim mandando inspiração lá de cima para vocês.

M: Com certeza! Beijamos a bateria dele todas as noites antes de subir ao palco. Ele nos dá seu poder. Está definitivamente com a gente. A sensação de ter a voz dele no pro tool é maravilhosa. É ótimo. Sei que temos que continuar essa banda enquanto o som permanecer em boas condições e nossos sentimentos também. Sei que vamos ver ele de novo um dia. Até lá, continuaremos com essa banda e faremos nosso melhor por ele, que não pode estar conosco agora.

Tenho grandes expectativas para o show aqui no Japão já que vocês fizeram um álbum tão bom, Nightmare, que abriu novas possibilidades para o futuro do metal.

M: Eu também mal posso esperar. Estamos pensando em um set para nossa turnê com um momento emocional que não pode ser descrito em palavras. Definitivamente vamos trazer esse set para o Japão também. Queremos que os fãs do Japão aproveitem tanto quanto o público dos Estados Unidos e da Europa. Quero fazer um show grande e melhor quando viermos para o Japão na próxima vez. Estou animado para voltar pra cá.

Você disse que vão continuar a turnê por dois anos, mas fica mais fácil para você pensar no futuro do A7X? Você disse que estão levando as coisas um passo de cada vez, lidando com a realidade…

M: Estamos dando passinhos de bebê e nosso futuro é fazer a turnê desse álbum que tem um significado especial. Iremos a lugares que nunca fomos antes com esse CD emocional e tocaremos para fãs que esperaram por nós durante muito tempo. Existem pessoas que esperaram por nós onze anos! Queremos fazer o melhor possível por esse álbum. Não faremos outro álbum como esse pelo resto de nossas vidas. É impossível fazer um álbum tão emocional e cheio de significado como esse outra vez. Então queremos dividi-lo com nossos fãs pelo mundo todo.

E estamos ansiosos para que tipo de álbum virá depois desse.

M: Temos feito álbuns por um bom tempo já. O combustível que nos motiva nunca desaparecerá. Nós encontraremos uma nova inspiração. Será um desafio fazer um novo CD. Até então, nós escrevíamos músicas, Jimmy escrevia músicas, nós juntávamos tudo e fazíamos um álbum. Nós temos que substituir um elemento muito importante que perdemos. Não temos mais o Jimmy e há um grande desafio a nossa frente. Não importa como seja o próximo álbum as pessoas irão pegar no nosso pé. De certa forma seria um novo desafio, mas estamos prontos para lutar com isso também.

Muito obrigado por ceder seu tempo para esse entrevista. Você deve estar cansado agora.

M: Sem problemas. Hoje eu fui jogar golfe, o clima aqui é muito bom.

0 comentários:

Postar um comentário